quinta-feira, 1 de abril de 2010

A certificações e metodologias no desenvolvimento de software

Existe uma idéia, na maioria das vezes falsa, de que a adoção de uma certificação e de metodologias, irá produzir softwares com maior qualidade em um curto período de tempo. Entretanto, a implantação de uma certificação ou uma metodologia atua no processo e não necessariamente no produto final, que é o software.

Vamos considerar aqui que o software seja um pão, e que a qualidade de asseio da padaria não certificada seja a mesma da outra. Quem compra pão em uma padaria certificada só por causa disso?

O importante é o gosto do pão e o preço. Entretanto, existem órgãos públicos que acham mais importante comprar pão de uma padaria certificada e pagar muito mais caro, mesmo que a padaria não entregue o pão.

Quero deixar claro que, não estou condenando a certificação ou adoção de uma metodologia. Uma empresa querer ter a certificação ISO, CMMI e outras, trás inúmeros benefícios, porém nem sempre esses benefícios são fundamentais para suas atividades. O problema acontece ao valorizar mais os métodos de desenvolvimento do que o produto final, que é o software pronto e funcionando. Dependendo do tamanho, da atividade e até da disponibilidade de capital para tal certificação, os gastos e o envolvimento de pessoal com uma implantação desse tipo pode trazer mais problemas do que soluções. 

Algumas vezes, eu acho que algumas metodologias de desenvolvimento de softwares que foram produzidas por pessoas que nunca desenvolveram um único software na vida e/ou algumas metodologias nunca foram testadas na prática dentro de um ambiente de desenvolvimento.

Mas eu não vejo dizer que a IBM, Microsoft, HP, Google e outras gigantes do setor são certificadas nisso ou naquilo. Elas criam um modelo de desenvolvimento baseados na prática, na vivência e experiência. Até mesmo uma Microsoft atrasa a entrega de um produto, mas geralmente ela promete um prazo curto e/ou divide o produto em várias etapas de entrega. É melhor prometer 3 meses e atrasar 1 mês do que prometer 2 anos e não entregar nada ou então entregar softwares de utilidade duvidosa.
Por conta da falha no desenvolvimento de software, temos órgãos comprando sistemas de patrimônio de 11 milhões, software para controle de biblioteca por R$400 mil onde o acervo total não vale R$50 mil, empresas que prestam serviços de resultados duvidosos faturando milhões, e qualquer compra de software pelo Poder Público está sempre na casa de milhões.

Um outro questionamento é: Esses softwares estão realmente funcionando? Os serviços contratados e produtos comprados estão produzindo softwares que realmente funcionam e atendem o Órgão Público? Quem fiscaliza o resultado desses contratos?

E com certa frustração que vejo esse comportamento do Poder Público em relação à aquisição de softwares. O softwares poderiam ser mais úteis para a administração pública e conseqüentemente trazer muitos benefícios a sociedade.

No Brasil, as empresas de softwares estão sendo o que as empreiteiras foram nos anos 70 e 80. Um ralo de desperdício e desvios do dinheiro público.

Um comentário:

Robinson disse...

O problema também no preço para o setor público são as fatias na divisão do bolo. Isto encarece muito e enriquece muitos.