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terça-feira, 26 de julho de 2011

É UMA ENGANAÇÃO, PURO MARKETING!

Antes de começar a estudar a respeito de marketing, no meu curso de administração na FGV, eu tinha uma concepção deturpada a respeito desse ramo da ciência. Como um leigo, eu pensava que marketing e propaganda eram quase a mesma coisa. O marketing seria a preparação da propaganda antes da veiculação nos meios de comunicação.

Não é incomum alguém dizer que um produto de má qualidade ou aquele político de reputação duvidosa é um produto do marketing. Suponho que a maioria dos brasileiros também carrega essa imagem errada nas idéias.

O ditado popular “é puro marketing” foi criado porque algumas organizações se dedicaram a implementar uma abordagem de curto prazo do marketing, lançando no mercado produtos e/ou serviços subsidiados por propagandas que criavam expectativas que esses produtos e/ou serviços não eram capazes de satisfazer. Quando me refiro à organização, estou incluindo empresas privadas, organizações públicas, ONGs, países, cidades e porque não indivíduos (artistas, profissionais liberais, políticos e outros).

Na verdade, a aplicação e o estudo adequado do marketing é de vital importância para a sobrevivência de uma organização, independente do seu tamanho ou ramo de atuação. Uma boa estratégia de marketing, implementada com sucesso por uma organização, cria produtos e/ou serviços que fornecem valor para o cliente, a sociedade, os parceiros de negócio e para a própria organização. Uma estratégia de marketing bem concebida tem como foco o mercado no longo prazo, ou seja, está focada nas necessidades e nos desejos dos seus clientes. Todavia, no mercado brasileiro, algumas organizações não se preocupam tanto assim com uma abordagem estratégica do marketing, por não estarem inseridas em um mercado tão competitivo ou por controlar o mercado, tais como as operadoras de telefonia celular, com suas inúmeras reclamações no PROCON.

Para a criação de uma boa reputação junto ao mercado, não basta somente veicular propaganda que criam expectativas que não podem ser supridas. Então, uma estratégia de marketing de sucesso possui consistência no que foi previsto e no que é realizado. Todos os colaboradores da organização devem estar conscientes do que é marketing e quais as estratégias de marketing adotadas. Por exemplo, o governo federal veiculou uma campanha de marketing que diz que o procedimento para se aposentar, para quem tem o direito, é de apenas 1 hora. Entretanto, o porteiro do meu prédio têm 5 meses nesse processo e reclama que 1 hora é o tempo que ele fica na fila esperando para ser atendido.

A mentalidade do vender a qualquer preço contraria os princípios do marketing. Nas palavras de Churchill Jr. e Peter:

“o marketing voltado para o valor não afirma que os profissionais de marketing devem manipular os clientes para atingir suas próprias metas. Ele não defende a prática de atividades ilegais, antiéticas ou que não sejam socialmente responsáveis. Ele não compactua com as atividades de profissionais de marketing que violam suas responsabilidades”.

As organizações devem buscar o equilíbrio de três fatores em suas estratégias de marketing:

1) Lucros da organização;

2) Desejos do consumidor;

3) Interesses da sociedade;

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Impactos das mudanças tecnológicas nos elementos e nas características do sistema organizacional da Indústria fonografia

INTRODUÇÃO

Embora seja uma conclusão contra-intuitiva, a crise da indústria fonográfica, atribuída à digitalização, mostra-se de fato exagerada. Embora este alarde não seja deliberadamente cultivado pelos representantes do setor, vêm sendo utilizado como argumento, de seu poderoso lobby junto a governos, para uma nova política de regulamentação. É fato que ocorreu no início deste século um declínio nos lucros das grandes gravadoras em particular. Entretanto, este estudo procura fazer uma ampla análise do ciclo de altos e baixos da indústria fonográfica e a má gestação de administradores das grandes gravadoras.

O resultado financeiro, da indústria fonográfica, está diretamente vinculado a diversidade e qualidade de suas produções artísticas. Os problemas de lucratividade enfrentados por esse setor, também estão vinculados à falta de uma nova Madonna, um novo Michael Jackson, um novo Beatles ao seu acervo. Ou seja, artistas que possam gerar vendas massivas e globais por meio de sucessivos lançamentos de álbuns. A indústria do cinema enfrentou problema semelhante na década de 1960, quando milhões de pessoas deixaram de ir ao cinema por conta do lançamento e proliferação da televisão. Mas a indústria do cinema se recuperou e prosperou graças ao brilhante talento artístico e comercial de uma nova geração de jovens diretores de filmes.

Embora essa consideração seja irrelevante e com remota possibilidade de comprovação científica, é fato que a criatividade artística de cantores e compositores fazem a diferença nos lucros da indústria fonográfica. Dois outros fatores são mais relevantes, no ciclo histórico de altos e baixos dos lucros, do que a falta de talento artístico: O primeiro é o nível da demanda da economia, o que obviamente afeta a indústria em todos os setores, e em períodos de queda na demanda, a venda de produtos não essenciais como a música é prioritariamente reduzida; O outro fator é o relacionamento da indústria fonográfica com as mudanças das tecnologias de gravação e reprodução tais como os gramofones, discos shellacs de 78 RPM, hi-fis, LPs, fitas cassetes, walkmans, CDs, CDs players e atualmente os iPods, MP3 players e arquivos digitais).

A importância desses fatores – demanda geral e tecnologias de reprodução e gravação – pode ser observada na história da indústria fonográfica, que experimentou três períodos de grande crescimento sustentável e três períodos de quedas no crescimento. Os períodos de crescimento foram marcados pela co-relação entre o crescimento econômico e novas tecnologias de playback que proporcionaram uma demanda dos consumidores pelas commodities da indústria fonográfica. Este foi o caso dos anos da década de 1920, quando gramofones, fonógrafos e outros dispositivos tiveram preços reduzidos e a qualidade ampliada. Este fenômeno volta a ocorrer nos anos das décadas de 1960 e 1970, quando aparelhos stereo, áudio cassetes e hi-fi foram o combustível da demanda por rock-and-roll, soul music, MPB, Bossa Nova e outros gêneros ao redor do mundo. Esse fenômeno volta a ocorrer no final da década de 1980 e nos anos 1990, com o início da era do CD e do walkman. Foi neste período que a indústria fonográfica experimentou o maior crescimento de sua história. O sucesso do marketing do CD, com base na qualidade superior da reprodução de áudio, fez com que os consumidores aceitassem pagar preços maiores do que pagavam em fitas cassetes e discos de vinil. A grande aceitação, do consumidor pelo CD, alavancou demandas sem precedentes para indústria fonográfica. Gravações, de todas as épocas e de todos os gêneros musicais, foram “re-lançadas” no novo formato para suprir a demanda de um novo tipo de consumidor, aqueles que queriam substituir coleções inteiras de discos de vinil e fitas cassetes pelo CD. Segundo estatísticas da Associação norte-americana da Indústria Fonográfica - RIAA, a banda inglesa The Beatles, cujos trabalhos não contaram com lançamento de novas músicas, venderam em todo o mundo por volta de 15 milhões de cópias durante a década de 1980 e 80 milhões de cópias durante a década de 1990.

O primeiro ciclo de queda, dos lucros da indústria fonográfica, começou em 1929 e se prolongou nos anos da década de 1930, quando as vendas foram assoladas por uma grave recessão da economia mundial. O segundo ciclo de baixa iniciou no final da década de 1970 e início de 1980, quando novamente uma recessão da economia mundial foi o fator decisivo. Outro fator, foi a proliferação da TV à cabo, MTV e outras emissoras do gênero. Adicionalmente, o aumento do preço do petróleo, tornou o disco de vinil extremamente caro.

O terceiro ciclo de quedas, nos lucros da indústria fonográfica, tem início no final da década de 1990 até os dias atuais. Assim como outros ciclos de quedas, o terceiro ciclo também está vinculado a crises econômicas. O bug do milênio, a crise das .com ou crise das empresas de internet, o colapso financeiro dos tigres asiáticos e a moratória da América Latina foram as primeiras ondas de choque nos lucros da indústria fonográfica. O pico e declínio na demanda do CD como uma novidade, é também um fator crucial. Não menos relevante, foi a incerteza dos consumidores criada por previsões que pregavam que o formato digital iria substituir o CD, assim como o CD substituiu o disco de vinil.

A digitalização é apenas mais uma entre a série de inovações tecnológicas que impactaram no negócio desta indústria no último século. A diferença é que o faturamento gerado por esta indústria é muito maior do que qualquer período na história, o que sugere uma “bolha” insustentável de consumo.

Um estudo acadêmico independente que utilizou rigorosas comparações econômicas, observação direta da atividade de downloads e vendas de músicas autorizadas, sugere que os downloads ilegais têm pouco impacto na queda das vendas das gravadoras.

"Downloads have an effect on sales which is statistically indistinguishable from zero, despite rather precise estimates," Felix Oberholzer-Gee of the Harvard Business School and Koleman S. Strumpf of the University of North Carolina at Chapel Hill.

De acordo com este estudo, são necessários cinco mil downloads ilegais para reduzir em uma venda legal. Outro aspecto salientado é que o perfil das pessoas que fazem o download ilegal, não compraria uma música legalmente de qualquer forma.

"While downloads occur on a vast scale, most users are likely individuals who would not have bought the album even in the absence of file sharing,", Oberholzer-Gee.

O trabalho evidencia fatores positivos ao marketing da indústria, correlacionado cada 150 downloads a uma venda a mais de CD. A indústria do software enfrenta, com relativo sucesso, anos de pirataria e downloads ilegais.

Outros trabalhos acadêmicos demonstram que há mais pessoas ganhando dinheiro atualmente com a música, do que em qualquer outro período na história. Estatísticas sugerem aumento no interesse e demanda pela música, sem precedentes. Houve um vigoroso crescimento da venda de instrumentos musicais, o que sugere um aumento na quantidade de pessoas interessadas em fazer música. Os dispositivos de reprodução de áudio, tais como o iPod, registram seqüentes altas no número de vendas. Houve expansão no número de bares e estabelecimentos de música ao vivo, concertos/shows e freqüentadores destes ambientes. O jogo de vídeo game Guitar Hero que mais vendeu cópias nos últimos anos está relacionado à música. A indústria de telefonia móvel registra recordes de vendas dos aparelhos celulares que têm como acessório um reprodutor de MP3, uma exigência do mercado.


"O meu celular costumava tocar de graça, mas o ‘ring-ring’ não me bastava. Eu preciso de um som que expresse quem eu sou. Preciso ouvir ‘sexy back’ quando meu telefone tocar.", consumidor de telefone com reprodutor de áudio embutido.

Conforme veremos a seguir, a indústria fonográfica está vendendo muito bem e o novo cenário não representa o seu fim. Entretanto, por conta da acomodação e demora de reação as mudanças, as grandes gravadoras estão sofrendo severas penalidades impostas pelo mercado.

IMPACTOS NOS RECURSOS MATERIAIS, HUMANOS, FINANCEIROS E TECNOLÓGICOS

As grandes gravadoras no antigo modelo detinham uma posição de mando no mercado. Elas contratavam os artistas, promoviam os trabalhos, mantinha pontos de vendas ou relação com varejistas, estabelecia preços, quem seria vendido, o que seria vendido, como seria vendido e em que formato de mídia seria vendido. Grande parte dos tradicionais produtos e serviços fornecidos pelas gravadoras torna-se dispensáveis, neste novo cenário de internet e música digitalizada.

A produção, a gravação e outras atividades relacionadas à logística da mídia CD era fonte de importante receita para as gravadoras. No novo cenário, a demanda por CD como mídia para gravações declina substancialmente, e todo o processo agregado ao suporte físico tende a desaparecer. Logo, todas as commodities e serviços dos atores relacionados à cadeia como gráficas, transportadoras, atacadistas, varejistas, vendedores tornam-se desnecessários.

Essas mudanças possibilitam uma grande independência para os artistas ou criadores de conteúdo, aumentando a diversidade. Os artistas passaram a negociar em uma posição de igualdade junto às gravadoras. Em alguns casos, o artista pode lançar o trabalho de maneira independente eliminando os intermediários tradicionais.

Após uma tentativa fracassada de fechar contrato com uma gravadora para o lançamento de um álbum, a banda inglesa Radiohead decidiu disponibilizá-lo para download na internet, deixando o consumidor decidir o quanto deveria pagar.

“ComScore said the average price per download was $2.26. But it did not specify a total number of downloads, saying only that a “significant percentage” of the 1.2 million people who visited the Radiohead Web site, inrainbows.com, in October downloaded the album. Under a typical recording contract, a band receives royalties of about 15 percent of an album’s wholesale price after expenses are recovered. Without middlemen, and with zero material costs for a download, $2.26 per album would work out to Radiohead’s advantage — not to mention the worldwide publicity.”, The New York times

Conforme o texto acima, eles receberam em média $2.26 dólares por download, sem ter que pagar intermediários, sem custo de material físico e etc. Tipicamente, eles ganham das gravadoras apenas 15% da venda de um álbum, depois de descontados todos os custos.

Contudo, o fator de maior impacto financeiro no modelo de venda online, é a opção de o consumidor escolher as faixas de músicas que lhe interessam, sem ter que comprar o álbum completo. No modelo tradicional, o consumidor paga em torno de R$30 por um CD que em média contém 15 músicas. Na venda online, uma música está em torno de R$2. Logo, o lucro por transação aumentou substancialmente, mas o faturamento por álbum diminuiu em proporção muito maior. Segundo a revista americana Billboard, raramente um álbum contém mais de 2 hitz, ou música de grande sucesso junto ao público.

RUMOS BUSCADOS PELA INDÚSTRIA FONOGRÁFICA

“A gravadora EMI (integrante das "Big Four", os quatro maiores conglomerados de música no mundo, completado pela Universal, Sony BMG e Warner, que detém aproximadamente 70% do mercado mundial), anunciou no início de 2008 um corte de 1 terço dos seus funcionários, além da redução dos gastos com marketing e da dispensa de vários artistas. O grupo espera com isso economizar US$ 391 milhões ao ano.”, Revista Veja – 15 janeiro 2008.

Por anos, as maiores empresas do setor tentaram interromper o crescimento da música digital de diversas maneiras. Inicialmente proibindo e depois impondo restrições como o Digital Right Management (DRM), que legalmente limitava a quantidade e duração das músicas digitais. Em desrespeito a essas leis e restrições, as pessoas trocavam arquivos de músicas utilizando a internet. As gravadoras tentavam coibir essas trocas por meio de dispendiosos e demorados litígios jurídicos, processando civil e criminalmente qualquer site ou pessoa que infringisse o DRM. Uma por uma, essas várias limitações se mostraram falhas ou limitadas. Então, teve início uma série de acordos com lojas virtuais para venda de músicas na internet.

Após a concessão de permissões de distribuição em formatos digitais, segundo levantamento da IFPI (Associação Mundial da Indústria Fonográfica), as vendas de música digital totalizaram 3,05 bilhões de dólares em 2007, número 48% maior que em 2006. Este nicho representa agora 15% do mercado global: cifra que era de 0% em 2003. Somente nos Estados Unidos, as vendas de canções via internet e celulares agora respondem por 30% da receita total da indústria.

Previsões dão conta de que, em 2012, a música digital irá representar 40% do faturamento do mercado fonográfico mundial, gerando 4,2 bilhões de dólares pela web e 17,5 bilhões através música móvel. O iTunes loja virtual lançada pela Apple em 2003, tornou-se, em 5 anos, o maior veículo de vendas de música nos Estados Unidos, respondendo por 19% do mercado e vendendo mais de 5 bilhões de faixas neste período. Somado ao concorrente Napster, os dois serviços juntos disponibilizam mais de 11 milhões de faixas para download, ao custo de US$ 0,99 dólar cada, reunindo catálogo de todas as grandes gravadoras e milhares de selos menores.

A internet torna viável o suprimento da demanda de pequenos nichos. O ambiente online pode ajudar os artistas e consumidores encontrarem um ao outro e executar transações impensáveis no modelo tradicional.


CAPACIDADE PARA DAR RESPOSTAS COMPATÍVEIS ÀS NOVAS EXIGÊNCIAS DO MERCADO

O avanço tecnológico em conjunto com o mercado e competidores globais tornam o ambiente externo constantemente mutável. As empresas que não se adaptam as mudanças são rapidamente penalizadas por consumidores exigentes e ávidos por inovações. A fracassada tentativa de bloquear as mudanças do mercado em conjunto com o atraso da reação a estas mudanças está causando o colapso das grandes gravadoras. O mercado consumidor cresceu, a demanda do mercado pela música cresceu, mesmo com a pirataria e downloads ilegais. Entretanto, a receita das vendas dos CDs, até agora a principal fonte de renda das gravadoras, tende a desaparecer. Este novo cenário abre espaço para o crescimento de empresas menores e com mais facilidade de adaptação.

As principais medidas que as gravadoras deveriam ter adotado, seriam as seguintes:
  1. Desistir da proteção do formato em CD e focar nas vendas de músicas digitalizadas criando lojas virtuais. A Apple criou o iTunes que deveria ter sido criado pelas gravadoras.
  2. Promover concertos e shows. Para fazer turnê, os artistas contratavam empresas especializadas em promover shows como a Live Nation. Esse espaço deveria ter sido ocupado pelas gravadoras. Agora as promotoras de shows estão tomando o espaço das gravadoras.

    “Os Rolling Stones estão prestes a terminar o contrato de mais de 30 anos com a gravadora EMI e estão perto de um acordo com a Live Nation . . . a banda que já vendeu cerca de 200 milhões de discos no mundo, permitiria que a Live Nation vendesse seus discos anteriores, tirando da EMI cerca de 3 milhões de libras (US$ 5,9 milhões) por ano.
    A Live Nation já assinou contratos com Madonna e Jay-Z, de 120 milhões e 150 milhões de dólares respectivamente. Os negócios da empresa vão bem porque os artistas querem mais do que os contratos de gravação tradicionais, beneficiando-se dos crescentes lucros das turnês e merchandising.”,
    MIKE COLLETT-WHITE – Folha de São Paulo 16/06/2008.
  3. Aumentar a contratação de todo o tipo de artistas, aproveitando a baixa do custo da produção, gravação e distribuição das músicas digitais. Incluir no catálogo músicos e estilos musicais pouco conhecidos mundialmente dando ênfase na exploração e criação dos mercados de nicho e regionais.
  4. Aumentar a renda com publicidade e promoção de produtos, firmando parceria com empresas de outros setores da economia e com agências de publicidade.

    “O cantor pop Sting e a Jaguar, tradicional fabricante inglês de veículos de luxo, firmaram uma parceria em 2000. Sting gravou um clipe da música ‘desert rose’ pilotando um modelo Jaguar S. Sting cedeu gratuitamente os direitos autorais para a empresa fazer uma grande campanha publicitária para que aumentasse suas vendas de CDs. O resultado da parceria ajudou a multiplicar tanto a venda de carros de US$ 50 mil como de CDs de US$ 20. As vendas do Jaguar quadruplicaram, com compradores mais jovens lotando as lojas, um objetivo importante para o fabricante. E Sting vendeu 8 milhões de cópias em todo o mundo. Foi o melhor desempenho comercial de sua carreira solo. Foi também a primeira vez que uma canção desconhecida do público foi usada numa megacampanha publicitária.”, José Fucs, Revista Época 06 de Junho 2008.
  5. Incentivar a proliferação de fãns clubes. Dessa maneira, cria-se um relacionamento com os consumidores facilitando o conhecimento de seus gostos, desejos e demandas por produtos, shows, estilos musicais e produtos de merchandising.
  6. Explorar os produtos de merchandising, como camisetas, bonés, chaveiros e etc.
  7. Promover festivais e festas regionais.
    “A dupla inglesa de dance music Groove Armada, que já lançou seis álbuns, com vendas totais de 3 milhões de cópias em todo o mundo, decidiu seguir novo rumo ao final de seu contrato com a Columbia, uma das maiores gravadoras internacionais. O divórcio seria igual a tantos outros do showbiz não fosse por um detalhe inusitado. Desde março, a nova “casa” da dupla não é uma gravadora, mas uma empresa de bebidas – a Bacardi, a quarta maior do ramo no planeta. O contrato entre as partes, como qualquer outro do gênero, prevê a gravação de um álbum e a realização de uma série de shows em vários países promovendo a bebida.” Braulio Lorentz, Jornal do Brasil, 11/09/2008.


CONCLUSÃO

A competição natural de mercado está mudando rapidamente. A globalização, desregulamentação e mudanças tecnológicas abrem oportunidades e desafios de desenvolvimento de novos e originais modelos de negócio. As empresas devem estar atentas, pois os competidores movem progressivamente na imitação fazendo a margem de lucro diminuir. Além disso, as empresas devem-se estar aptas as mudanças, buscar sempre a inovação, novas formas de satisfazer a demanda, reduzir de custos e aumentar o valor agregado percebido pelo cliente.


Neste contexto, a internet é decisiva. Especialmente para indústrias cujos produtos e serviços podem ser entregues online como softwares, agências de viagens, música, filmes, livros e etc. A internet banda larga, pode entregar qualquer conteúdo digital, em qualquer hora, em qualquer lugar do planeta.


Concluí-se que as grandes gravadoras estavam acostumadas a ditar as regras do mercado e que apoiadas nas vendas de discos não desenvolveram outras evidentes e potências fontes de receitas, durante os anos de bonança que se passaram. Quando confrontadas por uma nova realidade do mercado, desperdiçaram tempo e recursos preciosos em esforços mal sucedidos. A má gestão abriu oportunidades para empresas de diferentes setores suprirem demandas que as gravadoras demoraram a perceber ou não quiseram suprir. O iTunes que com apenas 5 anos de idade, se tornou o maior distribuidor de música. Outro exemplo é a Live Nation uma promotora de shows e eventos que assina contratos, cujos valores ultrapassam as centenas de milhões de dólares, com artistas das gravadoras. Até a rede de cafés Starbucks criou uma gravadora e contratou o campeão de vendas Paul McCartney. Todos esses serviços estavam sob a custódia das grandes gravadoras, todavia, foram negligenciados. Agora, tentam recuperar as oportunidades desperdiçadas criando um novo modelo sustentável de negócio. Paralelamente, começam a competir com empresas de diferentes segmentos, que iniciaram operações neste mercado “em crise”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

OBERHOLZER-GEE, Felix. File sharing may boost CD sales. Disponível em: http://www.news.harvard.edu/gazette/2004/04.15/09-filesharing.html Acesso em: 7 de abril de 2010.

SISARIO, Ben. First Royalty Rates Set for Digital Music. Disponível em: http://www.nytimes.com/2008/10/03/business/03royalty.html Acesso em: 7 de abril de 2010.

LEVITT, Steven. Are Record Labels the New Realtors?. Disponível em: http://freakonomics.blogs.nytimes.com/2009/01/19/are-record-labels-the-new-realtors Acesso em: 8 de abril de 2010.

SMITH, Meg. Content and Control. Disponível em: http://cyber.law.harvard.edu/home/uploads/254/2003-05.pdf Acesso em: 8 de abril de 2010.

PARELES, Jon. Pay What You Want for This Article. Disponível em: http://www.nytimes.com/2007/12/09/arts/music/09pare.html?pagewanted=3 Acesso em: 8 de abril de 2010.

DARROW, Justin. Distribution of Legal Music Online – A look at the Business models. Disponível em: http://www.cse.ucsd.edu/~paturi/cse91/Presents/jdarrow.pdf Acesso em: 9 de abril de 2010.

DWECK, Denise. O show tem que continuar. Disponível em: http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0917/tecnologia/m0158375.html Acesso em: 9 de abril de 2010.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Problemas ambientais enfrentados pela humanidade e provocados pelas atividades econômicas

INTRODUÇÃO

O comportamento de agressão ao meio ambiente não é novo na história humana, não se restringe nem ao fim do século XX e nem aos últimos dois séculos de industrialismo, o que sim é novo é a escala desse processo de depredação. Antes da industrialização, os impactos ambientais eram localizados, se um recurso se tornasse escasso em um local, bastava mudar para outro. Com o advento do industrialismo os valores das sociedades passaram a obedecer a uma lógica de produzir e consumir - não necessariamente nesta ordem.

No entanto, para produzir produtos o uso de recursos naturais se faz necessário. No final dos anos 60 e anos 70, a emergência dos movimentos ambientalistas fez dos recursos naturais, da energia e do ambiente em geral um tema de importância econômica, social e política, o qual pode ser chamado Questão Ambiental. Esta trouxe a crítica ao modelo de desenvolvimento econômico vigente, apontando para um conflito, senão uma possível incompatibilidade, entre crescimento econômico e preservação dos recursos ambientais, e que tal conflito, em última instância traria limites à continuidade do próprio crescimento econômico. Surgiu então o conceito de desenvolvimento sustentável que é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro. Hoje existe um entendimento comum, de que o desenvolvimento não pode ser sustentado com uma base de recursos naturais deteriorados, e o meio ambiente não pode ser protegido quando os projetos criados para isso não levam em consideração o preço da destruição ambiental e a disposição dos agentes econômicos para preveni-la.

PREMISSAS DA ECONOMIA CLÁSSICA E SEUS EQUÍVOCOS

O pensamento mecanicista, preconizado dentre outros pelo filósofo Descartes (1596-1650), introduziu as bases do pensamento moderno sobre a natureza e o homem. A natureza torna-se uma grande máquina, uma engrenagem de movimentos precisos e perfeitos, que o homem pode controlar, transformar em artefatos técnicos e explorar para fins econômicos.

Segundo Adam Smith, o trabalho, a terra e o capital são os três fatores de produção. Ele descreveu o mercado como uma “mão invisível” que leva a todos os indivíduos, na busca de seus interesses, a produzir o maior benefício para a sociedade como um todo. Nesta analogia da mão invisível, Smith argumentou que os mercados competitivos tendem a satisfazer às necessidades sociais mais amplas, apesar de ser guiado por interesses próprios.

No entanto, a falha de Smith e outros teóricos que o sucederam, tem-se a impossibilidade de dar valor a algo que não faz parte de um mercado. Apesar do sistema de preços ser infiel ao de valor, uma mercadoria só pode ter valor se ela for validada socialmente através do mercado. Ou seja, só há uma forma de se saber o preço de uma mercadoria: é levando ao mercado. Segundo essa lógica, tudo tem um preço. Mas como não se pretende colocar o meio-ambiente à venda ou destruí-lo por completo, deste ponto de vista, não podemos dar-lhe valor, apesar da tendência progressiva da mercantilização. E economia clássica não levou em consideração a escassez de recursos naturais e nem tampouco as agressões ao planeta no uso desses recursos.

O discurso ideológico do consumismo afirma que a principal finalidade da vida dos indivíduos é comprar. Nas sociedades contemporâneas, este comportamento foi naturalizado. As pessoas crêem que a vida resume-se ao que podem consumir. Trata-se de uma ideologia que é incentivada pelas mídias e foi incorporada pela grande maioria da população urbana. O consumo tornou-se o centro da vida e atualmente, constitui uma das principais finalidades da existência.

A crença na ideologia do consumo é um dos elementos explicativos para a quase ausência de projetos coletivos na atual sociedade. Nesta realidade, ao invés das pessoas preocuparem-se em reivindicar seus direitos de cidadania, elas passaram a lutar pela posse de objetos que as tornam ‘inseridas’ no mercado de consumo. No Brasil, um claro exemplo, é o nome dos "movimentos coletivos" - Movimento dos Sem-Teto (MTST). Atualmente a cidadania é representada pelo direito de "ter". É o "ter" para ser cidadão. O desejo de "ter" dos indíviduos das sociedades de consumo, dificulta um projeto político mais profundo, visando uma transformação da agenda de preservação do meio-ambiente.

LIMITES AO CRESCIMENTO FÍSICO

Para melhorar as condições humanas e restaurar a dignidade existencial nesta realidade de recursos finitos, serão necessários sacrifícios individuais e mudanças nas estruturas de poder econômico e político, no caminho de uma humanidade solidária, pacífica e sustentável, que tenha condições de satisfazer as necessidades básicas de todos e criar oportunidades iguais para cada um, de realizar seu potencial individual.

A situação econômica e social atual está cada vez mais próxima do caos, da violência e de confrontos irracionais em todas as regiões do globo. A tendência à depredação de recursos naturais e humanos não significa que os limites de crescimento serão alcançados nos próximos anos e resultarão em declínio súbito e incontrolável da população e de sua capacidade produtiva. Significa, contudo, que os custos sociais e ambientais serão transferidos em escala e intensidade crescentes aos que menos poder de defesa tem, eternas vítimas de um sistema desumano e implacável.

POSSÍVEIS SOLUÇÕES PARA OS PROBLEMAS IDENTIFICADOS

Segundo Daly (2004) os recursos renováveis devem ser explorados de maneira tal que: as taxas de colheita não excedam as taxas de regeneração e as emissões de resíduos não excedam a capacidade assimilativa renovável do meio ambiente local. Os recursos não-renováveis deveriam ser esgotados a uma taxa igual à taxa de criação de substitutos renováveis.

A construção de uma racionalidade ambiental é um processo político e social que passa pelo confronto e concerto de interesses opostos, pela reorientação de tendências (dinâmica populacional, racionalidade do crescimento econômico, padrões tecnológicos, práticas de consumo); pela ruptura de obstáculos epistemológicos e barreiras institucionais; pela criação de novas formas de organização produtiva, inovação de métodos de pesquisa e produção de novos conceitos e conhecimentos.

Portanto, podemos conscientizar e incentivar a sociedade na diminuição do consumo e produção de produtos cuja fabricação e consumo utilizam recursos não renováveis ou que degradam o meio ambiente. Incentivar programas de reflorestamento, pois a fotossíntese das árvores retira CO2 do ar durante o dia, e devolve uma quantidade menor de CO2 durante a noite. O CO2 restante é utilizando no crescimento da árvore, realizando assim o seqüestro de CO2. Outro procedimento é a reutilização e reciclagem de embalagens e produtos cujo uso não se fazem mais necessário.

Também, como consumidores podemos exigir das organizações que atuam no mercado a incluírem na formulação de suas estratégias e planejamento a preocupação com o impacto de suas operações e seus produtos. Incluir na grade curricular de cursos, desde o ensino fundamental, o estudo do meio ambiente, para que haja uma crescente conscientização deste tema vital para a sobrevivência de futuras gerações.

CONCLUSÃO

O indivíduo é categoricamente compelido a consumir numa espécie de vertigem imposta pelos meios de comunicação de massa. Na maioria das vezes, o indivíduo não precisa realmente consumir mas mesmo assim o faz em nome do status de consumidor. A sociedade de consumo produz mitos como as celebridades, os carros Ferrari, os relógios Rolex, os perfumes Chanel e se torna ela mesma o próprio mito, ou seja, o consumo. O ato em si de consumir é um mito que tomou o indivíduo de assalto e o fez reféns dele mesmo.

É comum o entendimento de que o planeta, não suportará por muito tempo o nível de consumo praticado no vigente modelo de produção e exploração dos recursos naturais. Apesar dos alarmantes sinais da natureza e dos constantes avisos da comunidade científica com relação ao aquecimento global, poucas políticas foram de fato implementadas. A eleição do governo de Barack Obama nos Estados Unidos da América, que é o maior poluidor do mundo com cerca de 40% de responsabilidade da emissão de gases, pouco modificou a posição daquele país com relação a adesão a tratados de redução de emissão de gases e outras políticas de proteção ao meio ambiente. O que leva a crer que a liderança tem pouca influência, pois os eleitores não querem "pagar a conta" e não pretendem ir contra a cultura do consumo.

O fato é a sociedade toma suas decisões apoiadas em valores monetários, e na visão desta sociedade, o custo ambiental ainda é mais barato do que o custo da preservação.

Por exemplo, você se preocupa com o meio ambiente? Provavelmente, dirá que sim. Então, deposite 5% dos seus rendimentos mensais na conta do GreenPeace ou qualquer outra organização que se dedique a proteger o meio ambiente. Provavelmente, você deve estar repensando a sua preocupação ambiental depois desta proposta, certo?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


DALY, HE. Crescimento sustentável? Não, obrigado. Ambiente e Sociedade, 2004. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-753X2004000200012 Acesso em 13 março 2010.

ANTUNES, Daví José Nardy. Valoração ambiental e meio ambiente: uma visão crítica, 2009. Disponível em http://www.sep.org.br/artigo/ixcongresso109.pdf Acesso em 13 março 2010.

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FINITUDE da humanidade. FGV, 2009.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Analisar o papel do gerente nas organizações contemporâneas

(Atividade FGV)

Introdução

Com o objetivo de conhecer um pouco mais o papel dos gerentes nas organizações contemporâneas, a presente atividade busca sintetizar um estudo, das tarefas a serem desempenhadas pelo gerente. Procura ainda, relacionar quais as competências e habilidades fundamentais, que o gerente deve possuir ou desenvolver, para obtenção do sucesso na execução dessas tarefas.

A atividade está dividida em 5 partes. Após a introdução, apresenta-se cronologicamente uma revisão da literatura que forneceu o embasamento teórico às respostas da presente atividade. Num primeiro momento, conceitua-se o trabalho, organização, gerente e suas mudanças no decorrer da história. O estudo da função gerencial não pode desprezar a compreensão de sua trajetória histórica, visto que esse foi um dos grupos que maiores transformações sofreu ao longo do tempo. Logo após, destaca-se uma abordagem das competências e seus conceitos. 

Por fim, apresentam-se as principais considerações sobre a atividade.


Tarefas a serem desempenhadas pelo gerente
 
O trabalho é realizado pelo homem, sempre com o objetivo de satisfazer uma ou algumas de suas necessidades. Por exemplo, o bem estar, aprovação, segurança, prestígio, poder, auto-realização, alimentação, reprodução e perpetuação da espécie, proteção contra o meio e etc. 

No decorrer da história, o ser humano descobriu que a realização do trabalho em conjunto com outros seres humanos é mais produtivo para a satisfação de suas necessidades. Trabalhando em conjunto, o homem poderia ser uma espécie dominante em seu meio, poderia lutar contra qualquer espécie e não necessitava fugir o tempo todo de predadores. Dessa forma, o homem poderia permanecer por mais tempo em ambientes, cujos recursos eram proveitosos, para a satisfação de suas necessidades. Por exemplo, ocupando cavernas ou construindo casas perto de lugares onde, abundantemente, havia frutos ou caça.
Adicionalmente, poderia perpetuar o conhecimento adquirido, ensinando e aprendendo com outros membros do grupo. Por exemplo, frutos que podem ou não serem ingeridos, a preparação ou conservação de um alimento, como fazer o fogo, como se proteger do frio, como lutar, como usar uma pedra ou madeira como arma ou ferramenta e etc. Dessa forma, o agrupamento do homem é um fértil requisito para uma explosão do crescimento da espécie.

Entretanto, com o agrupamento do homem surgiram os problemas de relacionamento entre os membros do grupo. Por exemplo, para caçar um animal, que sozinho um único homem não poderia abater, dois ou mais homens se juntaram. Mas qual seria a espécie a ser caçada? Como eles chegariam até a caça? Como eles se disporiam na luta contra a presa? Como eles dividiriam as partes da caça depois de abatida? Com quem ficaria a pele da caça abatida? No caso de uma presa bovina, com quem ficaria o filé mignon? 

O homem em sua essência é conflituoso até consigo mesmo. A vida em grupo aumentou exponencialmente a magnitude desses conflitos. O homem descobre que esses conflitos não resolvidos, podem ser mais danosos do que o meio ou outras espécies contra a qual compete pela sobrevivência. Com o objetivo de conciliar estes conflitos, impor ordem e harmonia na vida em grupo, a figura do chefe surge, trazendo implicitamente outro conflito, o de quem deve ser o chefe.

Inicialmente, o cargo do chefe era ocupado pelo mais forte do grupo, cuja vontade era imposta aos outros por uso, ou medo do uso, de sua força e habilidade física. Essa forma de definição da chefia tornava-se ineficiente com o aumento da população do grupo, cujo crescimento era propiciado pela facilidade da satisfação física da vida em conjunto. Aqueles, cuja força e habilidade física eram insuficientes para uma vitória em combate direto e individual contra o chefe, eram organizados pelos mais sábios a formarem um subgrupo que visava à destituição, com a pena de morte ou expulsão do grupo, da chefia do mais forte. Dessa forma, a figura do chefe mais forte perde a relevância frente à habilidade em arregimentar partidários dentro do grupo.

Provocado pela luta para definir quem vai ser ou se manter como o chefe, o surgimento de subgrupos lançou o homem em um novo conflito, o conflito entre subgrupos dentro do grupo. Por sua vez, esses conflitos eram inevitavelmente resolvidos pela luta física de um subgrupo contra o outro, resultando em severos castigos impostos ao subgrupo derrotado. Esses castigos variavam desde a expulsão do grupo, a perda da vida, confisco de bens e recursos, além do trabalho forçado – que é o trabalho que visa satisfazer a necessidade de outro homem em detrimento de necessidades próprias.

Com o crescimento da população dos grupos, o ambiente e os recursos outrora suficientes, provocam choques entre grupos vizinhos. E novamente, o grupo perdedor sofre as sanções de expulsão, a perda da vida, trabalho forçado, confisco de bens e recursos. E o tamanho do grupo passa a ser determinante na vitória em casos de conflitos. 

O termo chefe, gerente, administrador e outros, têm em sua essência a designação de uma pessoa responsável pelo trabalho de outros.
 
“O termo gerente não significa apenas o título de cargo ou posição hierárquica; antes, representa o conjunto de responsáveis por resultados com pessoas e com inovação. Isso quer dizer que presidentes, vice-presidentes, diretores, superintendentes, gerentes-gerais, chefes de departamento, chefes de setor, supervisores, encarregados, líderes de grupos são gerentes”
(BOOG, 1991, p.147).

Segundo Taylor, a figura do gestor esta associada às funções de tomar decisões, estabelecer metas, definir diretrizes e atribuir responsabilidades aos integrantes da organização, de modo que as atividades de planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar estejam em uma ordenação lógica.

Logo se pode incluir entre os gerentes os generais, bispos, imperadores, príncipes e qualquer outro que tenha um subordinado. 

Segundo Peter Drucker (1999), não existem diferenças entre gerenciamento de um negócio. Existem sim diferenças de gerenciamento entre organizações diferentes, pois a missão define a estratégia, e esta define a estrutura da organização. Também não há grandes diferenças entre tarefas e desafios, e os gerentes dessas organizações utilizam mais ou menos a mesma parcela de seu tempo gerenciando pessoas, portanto as atividades de gestão/gerência e de planejamento devem ser entendidas como uma tarefa de trabalho não somente da produção de bens e serviços, mas também de pessoas e de coletivos organizados. Logo, para análise das tarefas de um gerente não podem ser desprezados os conhecimentos de milhares de anos fornecidos pela historia militar, governamental e religioso. 

Com o despertar do interesse do homem pelo estudo científico e conseqüentemente com o advento da Sociedade Industrial, os métodos científicos começaram a ser aplicados na administração, tendo o início em 1911 com a publicação da obra de Taylor Os Princípios da Administração Científica. Dessa forma, temos o início da administração como uma ciência. 

Extasiados com a máquina a vapor, motor a explosão e a energia elétrica, as primeiras teorias tinham implicitamente como objetivo, a reprodução do comportamento das máquinas nos sistemas de trabalho humano. 

No entanto, essas teorias desprezaram milhares de anos de história do estudo do processo de gerenciar, que até então eram restritos ao meio militar, governamental e religioso. Os princípios básicos relacionados de Henry Fayol, divisão de trabalho, autoridade e responsabilidade, disciplina, unidade de comando, unidade de direção, subordinação do interesse individual ao geral, remuneração dos trabalhadores, centralização, hierarquia, ordem, eqüidade, iniciativa e espírito de grupo, foram utilizados em campo de batalhas por Alexandre da Macedônia a mais de 1.600 anos antes dessa teoria ser formulada, conforme descreve o historiador Plutarco:

“As tropas de Alexandre eram dividas em diversos grupos, esses grupos eram denominados de Falanges. Em cada grupo havia um comandante, que tinham diversos subcomandantes, e cada um desenvolvia uma função. Arqueiros, cavaleiros, infantaria, lançadores, navegadores, engenheiros todos trabalhavam independente e ao mesmo tempo em conjunto sob o comando de Alexandre. Dessa forma, submetiam inimigos, em sua maioria, mais números e poderosos.”

Maquiavel demonstra com propriedade o processo de gerenciamento, tendo enfoque comportamental, na obra O Príncipe, 1527. Nessa obra, ele descreve as competências e habilidades necessárias a um administrador, neste caso denominado Príncipe. Trata ainda do planejamento, administração dos recursos, organização, comportamento com os subordinados, da terceirização, da satisfação dos auxiliares com a remuneração e outros temas relacionados ao processo de administração.

“Também é muito importante que um príncipe dê exemplos notáveis de sua administração. Quando surge a oportunidade de premiar ou punir quem estiver encarregado de civis, que tenham prestado um grande serviço ou cometido alguma falta.”, Maquiavel O Príncipe.

Maquiavel ainda acrescenta que o administrador deve encorajar e premiar os que seguirem suas vocações em qualquer atividade humana. Reconhece a importância da inovação e cita ainda, as festividades e espetáculos, como um meio de integração e divertimento.

“O administrador também deve ser mostrar um amante da virtude, honrar aquele que se sobressair em cada uma das atividades de produção humana, premiando e multiplicando os privilégios dos criativos. Premiar e incentivar os que quiserem fazer tais coisas e todos os que se esforçarem para isso. Além disso, de tempos em tempos, ele deve diverti-los com festividades e espetáculos.”, Maquiavel O Príncipe.

Maquiavel acrescenta ainda ensinamentos de seleção dos recursos humanos, treinamento, motivação e administração de equipes. Tais conceitos serão abordados por cientistas da administração apenas na década de 1950 e 1960.

“A escolha de colaboradores não é algo de pouca importância. Eles são bons ou não, de acordo com a cautela ou não do administrador. Do caráter das pessoas que o administrador se faz rodear, depende a primeira impressão que é formada sobre sua própria habilidade. Se seus subordinados forem competentes e dedicados, ele será considerado inteligente. . . ele deve conceder benesses e compartilhar honras e cuidados com ele, de tal forma que a abundância de benesses e honras concedidas possam fazer com que o auxiliar se dedique com toda a sua vontade e possibilidades, e o peso desses cuidados possa fazê-lo temer uma mudança que não seja a que trará mais prosperidade. Quando as relações entre o administrador e seus auxiliares forem assim constituídas, eles desenvolverão uma confiança e objetivo mútuo . . . deve ainda, de tempos em tempos, ter com eles assembléia para tratar de ações desenvolvidas ou a desenvolver, sempre incentivando os bons resultados, além de desenvolver uma boa comunicação.”, Maquiavel O Príncipe.

Maquiavel estabelece ainda o comportamento adequado para desenvolver cooperação e o meio adequado da tomada de decisões.

“Os homens, de uma maneira geral, apreciam tanto a si mesmos e aos seus atos, iludindo-se a tal ponto que se torna muito difícil escaparem da peste dos bajuladores. Não há outra forma de se proteger contra a adulação do que fazer as pessoas entenderem que não vos ofenderão se falarem a verdade. A rigor, o administrador deve lhes perguntar sobre tudo, ouvir suas opiniões, refletir sobre elas e depois tomar suas próprias resoluções. O administrador deve se comportar de tal forma que cada um deles perceba que, quanto mais livremente se manifestar, mais aceito será. Ele deve ser um questionador incansável e um ouvinte paciente das boas idéias e da verdade a respeito das coisas. ” Maquiavel O Príncipe.

Ele ainda faz uma alusão ao Imperador Maximiliano I (1459 – 1519), contemporâneo de Maquiavel, que preparou as condições para o desenvolvimento da Alemanha como um estado, como um administrador dotado de comunicação ineficiente. Diz ainda, que a falta de comunicação desagrega a equipe e conspira para o malogro dos planos.

“O Bispo Luca, a serviço do atual imperador Maximiliano, falando de Sua Majestade, diz que ele nunca se aconselha com ninguém. É um homem reservado, que nunca conta seus segredos, nem segue os conselhos e conhecimentos de ninguém, e quando tenta levar adiante seus planos e estes começam a ser conhecidos, passam a despertar a oposição de quem está a sua volta.” Maquiavel O Príncipe.

Maquiavel estabelece, que o administrador ao levar em consideração a opinião de especialistas e pessoas com formações diferentes, os planos serão mais eficientes. Estabelece ainda que, que os auxiliares, ao serem consultados, sentem-se como parte na autoria dos planejamentos e dessa forma serão mais comprometidos com a execução e sucesso dos mesmos. Ao mesmo tempo em que um planejamento, mesmo sendo bem estruturado, desperta forte oposição dos que não foram consultados. 

Ainda consultando a história sobre as tarefas que devem ser desempenhas por um gerente, cita-se o exemplo de Júlio César, como modelo de liderança, coaching e motivação. Segundo historiadores, César era adorado por seus comandados por partilhar com eles tanto as vitórias como as provações, nunca se pavoneando em seu posto de comandante-chefe e não se concedendo qualquer vantagem adicional em relação aos mais humildes de seus auxiliares. O historiador Plutarco evoca longamente essa relação de confiança entre César e suas tropas e mostra que ela é a chave tanto de sua autoridade de líder quanto de seus sucessos militares.

“Um dia, na Bretanha [Inglaterra], os primeiros centuriões haviam se lançado em terrenos pantanosos e cheios d’água, onde foram fortemente atacados pelos inimigos. Sob os olhos de César, um de seus soldados, precipita-se em meio a dezenas de bárbaros, faz prodígios inacreditáveis de bravura e salva os oficiais. Quando vê os bárbaros em fuga, ele retorna à frente dos outros, com dificuldades infinitas. Lança-se através das correntes lamacentas e acaba por alcançar a outra margem, em parte a nado em parte correndo. Mas ele havia perdido o escudo. César, maravilhado com sua coragem e iniciativa, corre em sua direção com o transporte da mais viva alegria. Mas o soldado, ao ver César vindo em sua direção, abaixa a cabeça e com os olhos banhados de lágrimas, cai aos pés de César pedindo perdão por ter voltado sem o seu escudo.
Uma outra vez, na África, Cipião apoderou-se de um navio de César, comandado por Grânio Petro, questor designado. Cipião manda massacrar toda a tripulação e diz ao questor que lhe pouparia a vida. “Os soldados de César”, respondeu Grânio, “estão acostumados a dar a vida ao outros, não a recebê-la”. E matou-se com um golpe de espada.”

Tamanha devoção à causa de César só pode se explicar pelas atenções de um chefe para com os seus subordinados.

Plutarco prossegue:
“Esse ardor e essa emulação, o próprio César alimentava-os e fomentava-os, prodigalizando-lhes honrarias e recompensas. Ele mostrava assim que, em vez de empregar apenas para seu luxo e seus prazeres as riquezas que acumulava, mantinha-as reservadas como prêmios destinados a recompensar o valor e aos quais todos podiam aspirar.”

O historiador Suetônio relata que César não cessava de dar provas, a fim de dar o exemplo. Casos em que manda à prisão um padeiro por ter servido seus soldados com outro pão, com qualidade inferior ao que foi servido a ele. 

“Surpreendidos, durante uma viagem, por uma violenta tempestade, ele foi obrigado a buscar refúgio na choupana de um pobre homem, onde encontrou apenas um pequeno quarto, suficiente apenas para uma pessoa. “Os lugares mais honrosos”, disse ele, “devem ser cedidos às pessoas mais importantes, mas os mais necessários devem ser deixados aos enfermos.” E fez com que alguns de seus mais humildes soldados enfermos, deitassem no quarto, enquanto ele, outros oficiais e demais soldados passassem a noite sob a cobertura da água, dos raios e dos trovões.”

As arbitrariedades facilitadas por quem detêm o poder podem ser exemplificadas em infinita quantidade. César, através do exemplo, combatia os abusos de exigências absurdas ou contraditórias de natureza puramente pessoal de quem comanda. A impossibilidade de reação e a presença constante de um clima sombrio de injustiças são acompanhadas de uma natural busca por regalias, gerando quase sempre uma grande rivalidade e competição entre os próprios companheiros de jornada, nestes ambientes onde o abuso de comando é habitual. Neste cenário de autoritarismo, de distanciamento e de desconfiança, tão comuns em organizações racionalmente orientadas, influenciam significativamente o desempenho e a saúde das pessoas envolvidas.

Suetônio prossegue o estudo do comportamento de César em relação aos legionários, traçando assim um retrato de seu caráter como líder.

“Após as vitórias, dispensava os soldados das obrigações ordinárias e permitia que se entregassem aos excessos de uma licenciosidade festiva. Em seus discursos, não os chamava de soldados, mas servia-se do termo mais lisonjeiro de companheiros. Gostava de vê-los bem vestidos e dava-lhes armas enriquecidas de ouro e prata. Tinha tal afeição por eles que, quando soube da derrota de Titúrio – um de seus oficiais que ficou encarregado de suprimir a revolta da Gália em 54 a.C. –, deixou crescer a barba e os cabelos, e só os cortou depois de tê-lo vingado.”

Em outro relato, Suetônio descreve o discurso de César diante de um motim de alguns elementos da IX legião em Placência [Itália], no final do outuno de 49.

“Companheiros, quero ser amado por vocês. Mas eu não poderia tolerar-lhes as faltas para ter essa afeição. Quero bem a vocês e desejo, como um pai a seus filhos, que escapem de todos os perigos e cheguem à prosperidade e à gloria. Mas não pensem que quem ama deve permitir aos que ele ama cometer faltas que inevitavelmente lhes acarretam perigos e vergonha. Ao contrário, deve formá-los para o bem e desviá-los do mal, por seus conselhos e castigos”

Tomando a história de César no trato com seus legionários, concluí-se ainda que a liderança é fator fundamental para o gerenciamento, pois é com ela que o gerente influencia, direciona e impulsiona sua equipe para a concretização dos objetivos propostos e transforma-os em resultados.

No século 21, ao contrário da administração clássica, científica e burocrática relacionadas por Taylor, Fayol, Weber e Barnard, as organizações, bem ou mal, já passaram por processos diversos de mudança, cada qual desempenhando papel decisivo na eficiência e eficácia. No cenário atual assiste-se a uma multiplicação de estratégias em que a função gerencial adquire determinadas características, seja atribuindo maior ou menor centralidade à figura do gerente. O novo cenário onde o avanço da educação para grandes massas, a disseminação da tecnologia em todos os lugares a custos cada vez mais baixos, onde as distâncias e fronteiras perdem a importância, exige novos modelos de trabalho que sejam ágeis, rápidos, simples, com poucos níveis hierárquicos e participação de todos os colaboradores no processo de gerenciamento. O gerente, que por muito tempo fora o estereótipo do controle cerrado taylorista, dá lugar agora a um gerente preocupado em desenvolver um relacionamento mais estreito com o subordinado:

“Olha, eu particularmente eu tenho maior liberdade, dou a maior liberdade para
eles trabalharem. Na sexta-feira nós temos a reunião do “bom dia”. Eu procuro
dentro da reunião esclarecer várias dúvidas que têm, mas deixando-os com total
liberdade de falar o que eles estão sentindo. Então, desde que eu faço este
trabalho com eles, eles trabalham muito melhor.” Gerente de Produção em empresa da Região Metropolitana de Belo Horizonte após implantação do programa ISO 9000.

Jack Welch, principal executivo da General Electric e hoje aposentado, é o exemplo de maior sucesso desta nova forma de gerência. Em seu livro Paixão por Vencer ele resume o seu trabalho da seguinte forma:

“Meu trabalho é ouvir, buscar, pensar e transmitir idéias, expor as pessoas às boas idéias e aos bons modelos.... Quando vêem uma boa idéia, as pessoas autoconfiantes adoram”

O trabalho dos gerentes, segundo Herbert Simon, é tomar decisões.
Simon distingue dois tipos de decisões: programadas e não programadas.

As decisões programadas são repetitivas e tomadas automaticamente. Hábito, rotinas, manuais de instruções e operações padronizadas são formas de tomar decisões programadas. As decisões não programadas não dispõem de soluções automáticas. Lançar novos produtos, reduzir o quadro de funcionários e mudar a sede da empresa são exemplos de decisões não programadas e para lidar com as decisões não programadas, Simon indica que os gerentes devem desenvolver sua capacidade de julgamento, intuição e criatividade.

A principal tarefa de um gerente no ambiente contemporâneo é o treinamento e o desenvolvimento das pessoas, no sentido de tornar as equipes mais independentes e preparadas para a tomada de decisões. Ele deve cuidar da propagação, entre os colaboradores da organização, de medidas, ações, valores, orientação, motivação, repasse de conhecimento e desenvolvimento de habilidades. Além disso, ele deve estabelecer metas, definir diretrizes, atribuir responsabilidades, aplicar sanções contra faltas e erros, manter a disciplina e atuar como um harmonizador junto aos integrantes da organização. 



Competências e habilidades demandadas do gerente 
Desde a criação do universo, é do conhecimento geral que o indivíduo mobiliza determinados recursos para a concretização de suas ações. Recursos esses que os estudiosos denominaram de conhecimentos, habilidades e atitudes presentes nas pessoas e que mobilizados entre si e conjuntamente deram origem ao termo competência. 

 “A palavra competência, no fim da Idade Média, era associada à linguagem jurídica e dizia respeito à faculdade atribuída a alguém ou a uma instituição para apreciar e julgar certas questões. Por extensão, o termo passou a designar o reconhecimento social sobre a capacidade de alguém se pronunciar a respeito de determinado assunto e, mais tarde, passou a ser utilizado para qualificar o indivíduo capaz de realizar determinado trabalho"

(BANDÃO; GUIMARÃES, 1999, p. 27). 

Competência não é um estado de formação educacional ou profissional, nem tampouco um conjunto de conhecimentos adquiridos, e sim a capacidade mobilizar e aplicar os conhecimentos e capacidades de um indivíduo numa condição particular. 

Essa definição indica que a competência só se manifesta quando da sua utilização na atividade prática, transformando os conhecimentos adquiridos em resultados e potencializando-os à medida que aumenta a diversidade das situações. Ela se dá na forma como a pessoa “entrega” o seu resultado. Essa entrega está relacionada com os desafios que lhe são impostos pelo ambiente, tanto interno quanto externo. Conforme a complexidade do desafio, a pessoa mobiliza suas competências para entregar o melhor resultado possível. 

Os autores da escola francesa, entre eles Boterf e Zarifian, desenvolveram uma concepção de competência, atualmente muito difundida nos meios empresariais e acadêmicos que denominaram recursos de competência. Sua classificação está sustentada nos três elementos fundamentais: 

1)     Conhecimento (saber) - É o conjunto de informações que envolvem conhecimentos do ambiente em que o profissional está inserido, conhecimentos gerais e teóricos e operacionais. Como conhecimento do ambiente entende-se, por exemplo, conhecimentos sobre os cenários político e econômico e como isso pode influenciar as atividades da empresa; e conhecimento sobre concorrência, redes de comercialização, produtos, matéria-prima ou processos.

2)       Habilidades (saber fazer) - Esse recurso implica em saber como fazer e é determinado pela capacidade prática. É adquirido através do treinamento e da experiência prática e envolve o conhecimento de regras sobre procedimentos e habilidades de comunicação. A habilidade está muito ligada a conhecimentos tácitos, uma vez que uma pessoa que possui uma habilidade não consegue transmiti-la a outra através da linguagem com muita facilidade.

3)       Atitudes ou atributos (saber ser/ saber agir) – Se dividem em pessoais e profissionais. Os atributos profissionais são resultantes de experiências práticas ou de ações gerenciais, através das quais a pessoa é capaz de perceber aspectos e situações que estão além dos métodos e procedimentos formais, podendo utilizá-los com êxito em outros contextos ou situações. Já os atributos pessoais são os que os autores consideram como os mais difíceis de caracterizar nos indivíduos, embora sejam fundamentais no conjunto de recursos de competência. 

Como exemplo de atributos pessoais, os autores definem disposição para atuar em grupo, iniciativa, senso de responsabilidade, confiança em si mesmo, imaginação, criatividade, abertura a mudanças, habilidades de negociação e comunicação, etc. 

Logo a integridade, visão estratégica, capacidade de liderança, visão da empresa, capacidade de decisão, foco no resultado, ética no trato das questões profissionais e aspectos sociais, motivação, coordenação de trabalhos em equipe, postura de parceria com a equipe, habilidade interpessoal, conhecimentos sobre técnicas de administração, definição de planejamento e metas, conhecimento do mercado, responsabilidade e atitude pró-ativa são as competências e habilidades essenciais a um gerente.


Conclusão

Para alcançar seus objetivos, particularmente o bem estar, o homem vem realizando através dos séculos um grande esforço no sentido de controlar o universo que o cerca. Em certo sentido, pode-se afirmar que toda atividade humana visa o controle do universo, a fim de atender as necessidades do homem.

Para que se torne produtivo, eficiente, para que alcance os resultados desejados de maneira satisfatória, o trabalho não pode ser realizado isoladamente por cada homem. É essencial a divisão do trabalho, e depois sua reunião por especialidades.

O mundo contemporâneo, o mundo das sociedades industriais modernas, é realmente o mundo das organizações, ou seja, o mundo das grandes e muitas empresas, do grande governo, dos muitos clubes, associações, sindicatos, fundações, escolas. Ao contrário da sociedade tradicional, na qual o núcleo básico de trabalho era a família, a sociedade industrial moderna tem como núcleos básicos de trabalho as empresas e o governo – ou, em outras palavras, as organizações.

Neste contexto, a figura do gerente tem uma importância fundamental. As tarefas desempenhadas por ele têm como objetivo a coordenação do trabalho de outros. Por exemplo, estabelecer metas, definir diretrizes, atribuir responsabilidades, aplicar sanções contra faltas e erros, treinamento e o desenvolvimento das pessoas e etc.

Para que desempenhe estas tarefas com eficiência, o gerente deve possuir competências e habilidades essenciais, como disposição para atuar em grupo, iniciativa, senso de responsabilidade, habilidades de negociação e comunicação, definição de planejamento e metas e outras.


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